Prisioneiros do Orkut - Por Andréa Dunningham
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Embora as classes C e D estejam passando por um amplo processo de inserção digital, os hábitos de navegação e consumo na Iinternet ainda estão muito tímidos perto do potencial desta numerosa população. A conclusão é da antropóloga Carla Barros, que está trabalhando numa pesquisa sobre as classes C e D, observando os hábitos de navegação nas Lan Houses. As primeiras constatações mostram que o Orkut e o MSN são quase um sinônimo de Internet para o grupo analisado: “O uso da Internet é muito grande nas classes C e D, mas sempre focado em Orkut, MSN e jogos.O Orkut é extremamente disseminado e dificilmente este grupo explora outras possibilidades. No máximo, as pessoas saem do Orkut para conferir seus e-mails. Outros indivíduos preferem o videogame e ficam entre o game, o Orkut e o MSN”, explica.
As exceções, segundo Carla, ficam com os internautas que entram no Youtube, no Google e em sites do serviço público.
Outra curiosidade do trabalho diz respeito ao comportamento de consumo na web das classes C e D. Embora o computador seja usado para pesquisar preço, o receio de comprar pela Internet chama a atenção , uma espécie de desconfiança virtual. Isso acontece, segundo os próprios entrevistados, por vários motivos: por ser um contato recente e de pouca intimidade; pelo medo de passar dados de cartão de crédito, pelo receio de fraudes; pela falta de facilidade de navegação dos sites; e pelo medo de não ter com quem reclamar em caso de problemas. “Há uma preferência muito grande pela loja física. É a questão de tocar no objeto e, caso o produto não funcione, o comprador ter com quem reclamar”, diz ela.
Carla esteve comigo no iDigo dando um curso sobre Comportamento do Consumidor na Era Digital e deixou algumas recomendações que divido com vocês:
“As empresas deveriam pensar em modos de receber esse cliente em seu site. Pensar em conversar, em ter mais interação. Eu vejo que esse consumidor teme realizar uma compra porque não há ninguém do outro lado”. Acho que as corporações precisam pensar em um modo de ter alguém que se faça presente do outro lado, para tirar essa sensação de anonimato e frieza. A questão da navegabilidade também é importante, porque trata-se de um consumidor que ainda não está acostumado com uma relação menos ortodoxa. Eu sinto que esses usuários ainda se sentem muito sozinhos dentro de um site onde não tem com quem reclamar e que eles não enxergam. Acho que o outro lado tem que se apresentar a esses novos compradores”.